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Pistas para dar a volta 

(aceitar e viver uma vida feliz, sem filhos)

O que a/o levou a este grupo? Uma situação de vida muito difícil de gerir e digerir? O facto de se sentir uma “ave rara” e incompreendida nesta sociedade tão focada na parentalidade e nas crianças? O facto de sentir emoções negativas que talvez nem compreenda? Medo do futuro? Arrependimentos do passado? Encontrar estratégias de aceitação, compensação, talvez a cura?
O Plano B ´e um espaço seguro onde não há nada a esconder, nada a “disfarçar”, ´e a oportunidade de conhecer uma nova “tribo”, que cresce discreta.

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“Sem querer minimizar as dores de ninguém (nem sequer a minha), todos merecemos alegria e é sempre tempo de ver o lado mais solar da vida. Que coisas positivas me aconteceram ou acontecem (mais facilmente) por não ter a responsabilidade de ter posto no mundo, criar e educar um novo ser humano?
Sem ordem de importância; sou grata por:
* poder dedicar tempo a gozar a companhia dos meus pais, assim como apoia-los se precisarem de mim
* ter um cão que adoro (mais do que muitas pessoas) e poder dedicar-lhe tempo e carinho
* investir nas minhas amizades, tornando-as mais profundas, assim como fazer novos amigos
* estar atenta ao próximo e eventualmente poder dar alguma ajuda se ela for precisa
* ter tido a liberdade de mudar a minha vida há dez anos, trocar um percurso profissional na área da comunicação por um pequeno negócio de turismo, deixar Lisboa e ir para o campo, sem me preocupar com eventuais consequências das minhas acções e escolhas em pessoas dependentes de mim
* ter tido a oportunidade de vender esse negócio há 2 anos para mudar novamente a minha vida
* ter descoberto o mundo da cerâmica há 4 anos, área que me apaixona e em que tenho vindo a fazer formação 
* poder cuidar de mim: pratico yoga, faço ginástica, caminho na natureza, tenho uma horta, e faço surf no verão. Pratico a máxima: mente sã, corpo são
* viajar sempre que possível, pois é uma das coisas que mais gosto de fazer na vida, enriquece-me muito
* poder dar uma pequena contribuição periódica em projectos em que acredito
* ter tempo”

Sara, 44 anos, Lisboa

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“Estou neste momento a terminar as minhas férias grandes, mas posso dizer que eu e o meu marido, começando a pensar no lado positivo de não ter filhos, podemos dedicar-nos um ao outro sem horários. Vimos sempre para o sul de Espanha e aqui há imensas crianças. Um casal não tem menos de três filhos, na praia, no mar, na piscina, nos passeios só se vêem crianças e bebés...O lado positivo de não ter filhos é que a logística é extremamente fácil e não temos horários; se os tivéssemos, eles estariam sempre primeiro. 
Sendo filha única e neta única, os meus Pais são os meus “filhos”, apesar de Graças a Deus estarem ainda autónomos. 
Na segunda-feira quando regressar ao trabalho vou, mais uma vez, dedicar tempo a mim própria, ao meu marido, aos meus pais. Quero ir para um ginásio fazer exercício físico, coisa que já não sei o que é há tempo, porque não me aconselhavam a fazer devido aos tratamentos de fertilidade. Posso também sair à vontade com as amigas que têm filhos adolescentes e já semi-criados.”

Ana Mafalda, 44 anos, Coimbra

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“Fiquei a pensar muito neste mote, do que temos que nos traga felicidade e que pode ser uma coisa que derive do plano B. Confesso que nunca tinha verdadeiramente pensado sobre isso. Sou mais pessimista, tendo a ver o que é mau. E quando me diziam nas mal sucedidas conversas do "nem sabes a sorte que tens, podes x, y e z..." irritava-me de imediato, porque me estava a ser dito para amenizar um desconforto meu, é mesmo de quem não sabe o que dizer.
Mas aqui é diferente. Porque quando outros membros do grupo falam sobre isto, sabem exactamente o que é. É a diferença entre o sinto por ti e o sinto contigo. E por isso pus-me a pensar e tenho aspectos da minha vida que, se eu estivesse no plano A (família com filhos), poderiam ser totalmente diferentes.
Tenho 2 cães (eram 3 inicialmente) que eu adoro e com os quais passeio, faço caminhadas. À noite depois do jantar o momento só de passeio com eles ajuda a limpar o dia de trabalho stressante.
E também gosto imenso de passear, de viajar. A fase do torpor de todas as notícias más que tive também me tiraram a vontade de sair, de passear. E reconquistei essa faceta minha. Adoro fazer bucket lists por temas - Portugal, mundo, livros,.... - e consigo organizar-me para o poder fazer. Às vezes assim de impulso. O que com filhos seria sempre muito difícil.”

Inês, 42 anos, Sintra

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“O meu processo Plano B começou há poucos meses pelo que ainda não comecei a "vivê-lo" em pleno, contudo, ja faço algumas coisas...
Viajo quando posso, Estamos a pensar adoptar um canito, faço voluntariado no Refood! enfim... Tento ter coisas para fazer!”

Susana, 39 anos, Lisboa

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"Num processo destes o caminho mais fácil, talvez o mais apetecível, é enrolar-mos-nos em nós mesmos, viver a dor de um sonho que morreu e esperar que o tempo cure. O problema é que o tempo, só por si, não vai curar nada..e corremos o risco de um dia, quando decidimos finalmente sair dessa bolha de tristeza para onde voluntariamente entrámos, percebermos que a vida passou. Tão simples como isso. E de repente damos connosco com 80 anos (com sorte) e aquilo que resume a nossa vida é “tristeza porque não fui mãe”. E então? Servirá de alguma coisa na altura?
Chorar faz parte. Mas...mas...não merecemos passar o resto da vida tristes. Não queremos chegar aos últimos momentos (e eles chegam mais depressa do que pensamos) e perceber que desperdiçámos a única vida que temos a chorar e a sofrer por algo que nunca aconteceu. A não aproveitar os amigos e a família, aqueles que sempre estiveram connosco. 
Façam o luto, ele é necessário, mas dêem um prazo a vocês mesmos. A vida tem coisas ótimas para quem não tem filhos e vocês sabem. A vida É uma coisa óptima caramba! E temos o dever de a aproveitar. Sim quisemos muito ter filhos, quisemos tanto, mas não aconteceu. Ponto final parágrafo. Não aconteceu, e muitos de nós não vão sequer nunca perceber porquê. Neste processo de tentar sujeitámo-nos a tudo, sofremos tanto. Agora, que chegamos ao plano B, não acham que já chega de pensar nisso? Não acham que está na altura de pensarmos em nós, e não nesse bebé que nunca chegará?
Este fim de semana saiam. Vão a um sítio que vos transmita paz e enterrem este sonho de uma vez por todas. Pensem que há pessoas no mundo que, essas sim, têm realmente razões para passar uma vida inteira triste. Nós? Nós temos o PODER de mudar isso, temos o PODER de nos recusarmos a sofrer mais um dia que seja por algo que NÃO vai acontecer. O poder e o dever. 
Vamos ver as coisas boas. Os fins de semana decididos à última hora, o sair para jantar só porque sim, o não ter que aturar crianças aos gritos, o planear de férias com 3 dias de antecedência, o poder dormir as horas que nos apetece, o não termos que gastar fortunas para educar uma criança, podendo antes usar esse dinheiro connosco, o não viver com o coração fora do peito em permanente preocupação. O sermos livres. E acima de tudo aquilo que os casais com filhos não têm: a possibilidade de cultivarmos o nosso amor pelo nosso marido/mulher com muito mais dedicação do que se houvesse crianças.
Como diz o meu marido “se vamos ser só nós, então a viagem será inesquecível”.
Não me julguem fria e muito menos julguem que não sei do que falo. Tenho no currículo 9 ICSIS e não sei quantas transferências. Sofri muito, mas muito mesmo. Mas para mim chega. Estou farta disto e quero é agarrar a vida pelos cornos. Um bebé que nem sequer quer vir não merece que me continue a desgastar por ele, e no limite essa é a verdade. Dizem que não se desiste de um filho? Mentira. A vida é minha e vou resgatá-la e que se lixe tudo o resto. 
Não estou revoltada, zangada, nada disso. Estou apenas dolorosamente consciente que perdi demasiado tempo com isto. Chega. 
Já chega de sofrermos, não chega?"

Isabel, 40 anos, Lisboa

Pistas para dar a volta: Depoimentos

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